terça-feira, dezembro 26, 2006

Natal

Um anjo imaginado,
Um anjo diabético, actual,
Ergueu a mão e disse: — É noite de Natal,
Paz à imaginação!
E todo o ritual
Que antecede o milagre habitual
Perdeu a exaltação.

Em vez de excelsos hinos de confiança
No mistério divino,
E de mirra, e de incenso e ouro
Derramados
No presépio vazio,
Duas perguntas brancas, regeladas
Como a neve que cai,
E breve como o vento
Que entra por uma fresta, quezilento,
Redemoinha e sai:

A volta da lareira
Quantas almas se aquecem
Fraternalmente?
Quantas desejam que o Menino venha
Ouvir humanamente
O lancinante crepitar da lenha?
"Natal" do livro "Libertação" (1960)
Miguel Torga

O tempo para escritas é ligeiramente superior depois da correria de Natal do que antes, para além de existir coisas muito mais interessantes para serem feitas... Ou não... simplesmente ter que estudar/trabalhar.

Espero que tenham tido todos o tradicional Bom e Santo Natal, com muitas prendas no sapatinho, paz, amor e tudo e tudo.
Pensar que ainda ontem estava a entrar no espírito natalício...
Como estes períodos de 24 horas passam a correr... Não haverá um radar na 2ª circular para eles!?

Por fim, dizer só que tenho 'telélé' novo :) cortesia da minha adorável namorada. Ei-lo: